Minha Amada Boracéia

Oh! Minha amada e idolatrada Boracéia,
Com teus morros soberbos,
Teu céu azulado,
Tuas areias pisadas,
E tua água cristalina.

Local propício à vida.
Onde pássaros piam ao amanhecer,
E urubus esvoaçam ao entardecer.
Onde o Sol dá lugar à lua,
Numa explosão cósmica e celestial,
Com estrelas como seu pano de fundo. 

Oh! Minha amada e idolatrada Boracéia,
Com tuas ondas gorducheiras,
Longas e cansativas.
Onde pegar a onda certa,
Significa bambear as pernas. 

Nunca uma onda foi tão cordial e amorosa
Para com os surfistas merrequeiros.
É a onda da fraternidade!
Onde surfistas de mãos dadas
A surfam desde a última arrebentação,
Até o mais longínquo dos guarda-sóis.
Lá onde o Bezerra faz a curva.
Formando uma corrente humana,
A corrente dos desgarrados e desgraçados surfistas,
Que pregueiam suas ondas com pranchas e mais pranchas. 

Oh! Minha amada e idolatrada Boracéia,
Que descanse em paz agora.
E espere por mim,
Com a chegada de uma nova frente fria,
Quando não puder optar,
Por nenhuma outra opção.